Tatiana

O que leva uma mocinha de 26 anos a fazer uma prova de 89 km no outro lado do mundo? A Tatiana cumpriu este desafio pessoal quando resolveu que iria participar de uma corrida muito especial na África do Sul. "Comrades significa camaradas e foi esse conceito que primeiro despertou a minha atenção. Sempre busquei, na minha vida, ser camarada dos meus amigos, da minha família, do próximo. Há três anos sonhava em correr essa prova tão significativa.", conta Tati.

A maratona Comrades foi criada em 1921, quando 34 corredores determinados resolveram homenagear seus camaradas que haviam tombado durante a Primeira Guerra Mundial. A largada se dá no City Hall de Pietermaritzburg. Todos os corredores que conseguem completar o percurso no tempo máximo de 11 horas recebem sua medalha, de ouro, prata ou bronze dependendo do tempo que levaram para cumprir o desafio. Ao entrar no estádio de Sahara, em Kingsmead Durban, todos são ovacionados pela população. O corredor anônimo é tratado como um herói, e sai ostentando no peito a medalha representada por Hérmes, o mensageiro de Deus.

A preparação para enfrentar este desafio incluiu uma boa dose de sacrifícios. Entre eles, a Tati teve que emagrecer sete quilos para diminuir o sofrimento nas subidas e descidas. "Tive que cortar coisas na minha alimentação que jamais pensei em deixar de comer. Mas a vontade de fazer Comrades foi maior, então abri mão até do meu alimento favorito, que é o Toddy."

Nas palavras da Tati, os momentos, sentimentos, adrenalina e medo de uma pessoa que se propõe a fazer uma prova tão dura e tão longe de casa:

"Querendo ou não, quando se é mulher e ainda muito jovem, e resolve fazer uma prova como esta, você ouve que é ímpossivel, que é loucura, que não vai conseguir, que é melhor desisitir. Enfim, muitos se sentem agredidos pela sua ousadia, outros ficam espantados. Mas sempre soube que era isso o que eu queria. Eu tinha o mais importante: o apoio do meu técnico, da minha familia e, principalmente, a vontade dentro de mim. Quando você acredita em você nada te faz desistir. Nem mesmo a morte de meu avô, um dia antes do embarque para a África, me fez desitir da prova. A única coisa que posso dizer é `Vô, corri por você e fui sua mensageira nesta prova´.

Meu técnico tinha comigo conversar semanais e me apoiava muito. Sempre digo que sou eternamente grata a ele, pois confiou em mim e no meu potencial. Acho que sou uma pessoa antes de Comrades e outra depois. Esta prova me trouxe crescimento como atleta e como ser humano.

A largada da prova é algo maravilhoso. Todos esperando o Canto do Galo, o toque oficial de largada, com o coração na boca. Na verdade a gente não sabe porque está ali, mas sabe que aquela é ´A Prova´. Você sente isso quilômetro a quilômetro, quando vê as pessoas te aplaudindo, as crianças com deficiência física que ficam o dia inteiro te aguardando apenas para bater na sua mão quando você passa.

Senti muitas dores nas coxas, então parei três vezes no posto de massagem. Esta é a prova mais bem organizada que já vi, eles fornecem batata, água, gatorade, coca-cola, gel...

A emoção toma conta de você durante o percurso inteiro, se eu disser que por algum momento eu pensei em desistir estaria mentindo. Só no quilômetro 82 eu me perguntei ´porque será que eu estou fazendo isso?'. Mas quando vi aquele povo gritando para mim e percebi que já estava chegando, entendi exatamente qual era a resposta. Nunca vi um estádio tão lotado, a cidade inteira fica mobilizada para a prova e você ali é um verdadeiro ídolo."

Apesar da pouca idade, Tatiana mostrou que tem fibra e estofo para dar um conselho: "Acredite nos seus sonhos."





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